Friday, December 11, 2015

Que falta fazem fones de ouvido

Durante o trajeto para encontrar a minha esposa para fazer compras, tive a infelicidade de poder analisar criticamente o diálogo de um par de jovens - um rapaz e uma moça. Ignorando ou despercebendo o incômodo que causavam aos outros passageiros do ônibus, o volume, o vocabulário e o teor de sua conversa evidenciava a egocêntrica idiótica característica dos jovens de hoje em dia. Passando por vanglórias a respeito da humilhação (ou tortura emocional) do suposto namorado, proezas alcoólicas, uso e abuso de entorpecentes incluindo a ridicularização de quem abstém-se, seu diálogo audível por toda a composição culminou no questionamento da integridade estrutural do reto e da carreira da mãe de um interlocutor anônimo precedido pela comparação de sua última declaração a um objeto fálico, tudo isso em mensagem de áudio enviada por seu smartphone. Conjugue isso com a declaração que ouvi escapar dentre bonés vazios e bermudas frouxas de uma matilha de adolescentes caminhando pela rua (que o tradutor do Google identificou como uma espécie de dialeto do idioma romeno): "Nói vai pegá o bagúi, véi?", e começamos a montar um modelo de conduta tão terrível quanto comum. Mergulhado em algo pior do que a ignorância, o orgulho de ser ignorante, o jovem (e muitos adultos que não amadurecem) usam o supremo poder infinito de sua idiotice para transformar o universo em uma caixa de brinquedos e passa a atuar como juiz e angélico sobre o mundo ultrasimplificado que só existe no inconsciente coletivo de quem não sabe que não sabe de nada. Até aí, tudo bem, o idiota não é exclusividade do nosso mundo moderno. O problema é que o idiotês está se tornando uma língua muito comum hoje em dia! Isso é ainda mais evidente na corrupção satânica da música popular atual. A comparação do amor que há em uma família unida ao estupro exemplifica o que o "pancadão" é em relação à música como expressão artística do ser humano. Algo nascido em função do crime, do abuso de entorpecentes e da libertinagem é tido hoje como "cultura" e ai de você se questionar o valor deste excremento sonoro que nem ao menos merece o nome de "música". Mais uma vez uma ultrasimplificação de algo moldada para encaixar na cabeça do idiota moderno, pois a música como arte não cabe na mente que acha que não precisa mais se desenvolver, de quem não tem respeito por nada que não já esteja em seu círculo, de quem acha que o que não consegue compreender não faz sentido e o que não gosta é ruim simplesmente por não gostar. Isso me faz chegar à conclusão de que a ignorância gera arrogância. A ignorância extrema gera arrogância extrema. Então, apertem os cintos, pois nos aproximamos da ignorância absoluta! Em breve viveremos rodeados de seres que não mais enxergam o universo físico, mas vivem em um mundo subjetivo fictício onde tudo é mais simples, mais fácil do que você jamais conceberá, pois em terra de cego, quem tem olho eles arrancam.