Monday, February 22, 2016

Humildade vs Arrogância

Imagine: Você está em um restaurante sofisticado para um encontro romântico. O garçom, francês, lhe entregá com delicadeza o menu, para que você faça o pedido do prato desejado e o menu lhe apresenta duas opções: esterco de jumento ou salada de barata. O que você escolheria? Qual prato você gostaria de pedir? Fazemos este tipo de escolha todos os dias,  já que não temos uma terceira opção que não seja absurda, tirando a abstinência.
Em silêncio, presenciei discussões absurdas carregadas por argumentos infundados e improvisados. O que as pessoas hoje chamam  (ou têm a audácia de chamar) de música está mais proxima de grunhidos e estrondos do que de música de fato, e, ao ouvir a argumentação do por quê o "sertanejo universitario" oprimia o "funk pancadão" ou como o funkeiro de hoje é "injustamente marginalizado", comparado a pessoas que tinham seus corpos tatuados decadas atrás, evidenciam a completa alienação da realidade da maioria das pessoas que têm sua ínfima percepção do universo como completas verdade irrefutáveis,  independentemente do que os olhos e ouvidos lhe mostram. "Funk é cultura", dizem eles, "Você é preconceituoso", dizem eles, às vezes apenas com o olhar. Cultura é uma palavra que perdeu seu significado. Pense em uma pessoa culta (isto é,  cheia de cultura) e compare com o cidadão que, ao julgar-se regente sobre vida noturna da cidade, sai às ruas disparando alarmes de carros e destruindo o sossego dos infelizes que tiveram o infortúnio de estar em seu caminho. O Funk criado no Brasil não é cultura a ser aceita por uma população futura, é uma desconstrução cultural e intelectual causada por dois tipos de criminoso (que estão em associação): primariamente os líderes do tráfico de drogas nas favelas, quase que deuses aos seus próprios olhos, que investem nestes pseudo-cantores e usam suas apresentações para a lavagem de dinheiro de seus negócios, também se aproveitando da apologia ao uso de seu produto e à violência a seus inimigos que a popularização deste fenômeno proporciona; e, de forma secundaria,  o atual governo corrupto (e ilegítimo), que se julga uma elite iluminada preparada para decidir o futuro da humanidade, com o objetivo de desconstruir intelectualmente a população, transformando-os em completos idiotas imbecilizados facilmente conduzidos para qualquer direção. O investimento absurdo que o governo faz aos chamados "sertanejos universitários" também contribui para isso pois, apesar destes não serem tanto badalhocas na pelagem da cabra brasileira como o gênero citado anteriormente, abusam de um palavreado esdrúxulo e uma temática também imoral e idiotizante. A popularização destes dois gêneros (des)musicais joga cada vez mais as pessoas neste abismo de futilidade,  egoísmo,  promiscuidade e alienação de onde muitos provavelmente não sairão.

Mas não precisamos ir a extremos para ver essa desconstrução ocorrer em todo o mundo. Eu tive uma discussão com um aluno, que exemplifica claramente a mentalidade do jovem moderno. Este criticou, rejeitou e de forma grosseira insultou meu método de ensino por eu ter me usado de certo gênero musical para exemplificar o uso prático do inglês, enaltecendo seu gosto (questionável) acima de Mozart, Beethoven e Vivaldi. Minha reação, movida pelo amor à minha profissão e aos meus alunos, foi deixar bem claro que seu ponto de vista era equivocado. Sem parcialidade, demovi o meu gosto musical junto ao dele e mostrei como, na verdade, o clássico sempre está acima do popular e que as expressões "eu gosto" e "é bom" diferem completamente uma da outra. Aquilo que nos faz crescer como seres humanos é a verdadeira arte, aquilo que nos entretém é apenas isso, entretenimento, brincadeiras, bobagens que usamos para descansar os pensamentos. Qual a reação? Transformando-se de aluno para ex-aluno em algumas aulas, a arrogância com a qual fui atacado atribuiu-se, por paralaxe cognitiva, a mim!

E isso prossegue de forma consistente.

Eu amo aprender, estudo como forma de lazer. Seja a bíblia, seja física, seja astronomia, eu leio, aprendo e fico satisfeito. Mas também tenho plena consciência do quanto não sei (e a verdade é que eu não sei de nada). Só que, quando sou capaz de ajudar alguém com o pouco que sei, aí sou arrogante.

Qual a conclusão que chegamos?
Uma pessoa completamente alienada, com opiniões infundadas e improvisadas, mas coincidentes com as da maioria da sociedade, é humilde. Julga-se intelectual invencível e humilde ao absoluto que, ao perder uma discussão, viaja no tempo para mudar a história transformando-se assim em uma vítima de um arrogante prepotente "sabe-tudo" que "não sabe brincar".

Agora, aquele que reconhece sua ignorância e busca o conhecimento, deixando de lado suas opiniões preconceituosas para dar lugar ao verdadeiro saber, este é arrogante. Este é o monstro que veio humilhar o pobre-coitado que, mesmo estando certo de absolutamente tudo (pois nasceu com sabedoria superior de todos os assuntos), perde o debate para a sua arrogância monstruosa.

Eu me policio constantemente para ser uma pessoa humilde, mas talvez isso seja arrogancia  de minha parte.